quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Filhos da princesa Diana dizem se arrepender da última conversa

William e Harry falam que ligação antes da morte da mãe, em 1997, foi muito rápida
Os príncipes britânicos William e Harry falaram sobre o arrependimento em relação à última conversa que tiveram com a mãe, a princesa Diana, antes que ela morresse, dizendo que foi "desesperadoramente apressada".
A declaração foi feita para o documentário "Diana, Nossa Mãe: Sua Vida e Legado", do canal britânico ITV, que estreou nesta segunda-feira (24) nos EUA. O filme faz parte da lembrança dos 20 anos do acidente que levou à morte de Lady Di em Paris. Naquele 31 de agosto de 1997, William, na época com 15 anos, e Harry, com 12, passavam uns dias no Castelo de Balmoral, a residência da rainha Elizabeth 2ª na Escócia.
"Harry e eu estávamos com uma pressa desesperada para dizer tchau, você sabe, 'te vejo mais tarde'. Se eu soubesse o que iria acontecer eu não teria sido tão blasé sobre isso e todo o resto", disse o príncipe William.
Harry afirmou: "Ela estava ligando de Paris, eu não consigo lembrar necessariamente o que disse, mas tudo o que eu lembro é que eu provavelmente vou me arrepender pelo resto da vida sobre quão rápida foi aquela ligação."
Os príncipes se lembram do senso de humor de sua mãe, com o príncipe Harry descrevendo-a como "uma das mães mais marotas". "Nossa mãe era uma piadista, quando todo mundo me diz 'se era divertida, nos dê um exemplo', tudo o que escuto é sua risada na minha cabeça", acrescentou.
Decididos a mantê-la viva na memória, começaram a chamá-la de "avó Diana" para os filhos de William – os príncipes George, 4, e Charlotte, 2. "É importante que saibam quem era e que existiu", disse William. "Agora temos mais fotos em casa e falamos dela", explicou. William e Harry planejam arrecadar fundos para construir uma estátua da mãe, que será instalada no Palácio de Kensington, em Londres.
Estes são alguns trechos de uma reportagem publicada na edição de 25 de julho 2017 do jornal O Folha de S.Paulo, com a indicação de ter sido obtida das agências de notícias.
"Os príncipes britânicos William e Harry falaram sobre o arrependimento em relação à última conversa que tiveram com a mãe, a princesa Diana, antes que ela morresse, dizendo que foi 'desesperadoramente apressada'". (...) "Harry afirmou: 'Ela estava ligando de Paris, eu não consigo lembrar necessariamente o que disse, mas tudo o que eu lembro é que eu provavelmente vou me arrepender pelo resto da vida sobre quão rápida foi aquela ligação.'"
Agir de forma "desesperadoramente apressada" e, paradoxalmente, produzir arrependimentos desesperadoramente demorados, pois, como diz o príncipe Harry, provavelmente perdurarão pelo resto da vida. Será que a frase anterior pode ser considerada uma descrição plausível para o modo de vida adotado pela imensa maioria dos integrantes desta questionável espécie inteligente do universo? O que vocês acham?
"William e Harry planejam arrecadar fundos para construir uma estátua da mãe, que será instalada no Palácio de Kensington, em Londres.", afirma a notícia selecionada para esta postagem.
Afirmação que leva-me a fazer as seguintes indagações. Será que alguém que ficou bastante conhecida por apoiar arrecadações de fundos a serem aplicados em instituições de caridade apoiaria a ideia de arrecadar fundos para construir uma estátua a ser instalada em um Palácio com o intuito de homenageá-la? Será que, vinte anos depois, os já não tão jovens príncipes, estão partindo para mais uma coisa da qual provavelmente também se arrependerão? O que vocês acham?

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Para onde estão indo os megarricos?

Megarricos buscam refúgio na Nova Zelândia contra colapso capitalista
Temor de ricos é que ocorra revolta popular devido à desigualdade em alta; Trump é outro fator para interesse
As vistas são deslumbrantes: cervos selvagens circulam pela área e uma floresta oferece lenha suficiente para aquecer qualquer bilionário que se respeite mesmo no pior inverno nuclear.
A Lake Hawea Station, uma propriedade de 4.605 hectares na região central Otago, é uma das propriedades autossuficientes que vêm surgindo em número crescente na Nova Zelândia. Elas são tipicamente vendidas a compradores internacionais e, de acordo com alguns comentaristas, se tornaram a nova mania entre os megarricos do planeta que estejam em busca de proteção contra o futuro colapso do sistema capitalista.
"Cerca de 40% de nossos clientes são norte-americanos – eles querem privacidade, segurança e uma bela paisagem rural", disse o corretor Matt Finnigan. "Imóveis sustentáveis em geral oferecem fontes próprias de água e energia e capacidade de cultivar alimentos", ele diz. A chegada de imigrantes ricos ao país ganhou destaque na semana passada com a notícia de que Peter Thiel, cofundador do PayPal, estava entre os 92 candidatos a quem foi secretamente concedida a nacionalidade neozelandesa, contornando os trâmites regulares.
Pouco antes, um artigo publicado pela revista "New Yorker" identificou a Nova Zelândia como destino preferencial para os ricos que querem sobreviver caso a crescente desigualdade venha a provocar uma revolta popular. "Dizer que você está comprando uma casa na Nova Zelândia é uma daquelas coisas subentendidas", disse à revista Reid Hoffman, cofundadora do Linkedin.
"Dizer que você está comprando uma casa na Nova Zelândia é uma daquelas coisas subentendidas"
Reid Hoffman (cofundadora do Linkedin)
Além de Thiel, a lista de americanos ricos que têm imóveis na Nova Zelândia inclui o cineasta James Cameron, o guru dos fundos de hedge Julian Robertson. Diversos russos ricos também têm imóveis no país. O país de 4,3 milhões de habitantes está desfrutando de um boom de imigração e investimento estrangeiro. O governo do país aprovou a aquisição de 466 mil hectares de terras por estrangeiros em 2016, quase 60% mais do que no ano anterior A entrada líquida de imigrantes também atingiu o recorde de 70,6 mil pessoas no ano passado.
Há sinal de que o interesse dos norte-americanos pela Nova Zelândia continua alto. Na semana posterior à vitória de Donald Trump, o serviço de imigração da Nova Zelândia reportou que 13 mil cidadãos dos EUA haviam expressado interesse em trabalhar ou estudar no país – cerca de 17 vezes mais pedidos que em uma semana típica.
Mas muitos neozelandeses rejeitam a ideia de que os ricos estejam acorrendo ao país para se proteger contra desastres em seus países. "Com voos diretos, a proximidade do país com relação à costa oeste dos Estados Unidos o torna atraente para os norte-americanos", diz Justin Murray, fundador do Murray & Co., um banco de investimento neozelandês.
Esta é a íntegra de uma reportagem publicada na edição de 07 de fevereiro de 2017 do jornal O Folha de S.Paulo, com a indicação de ter sido publicada no Financial Times e com tradução atribuída a Paulo Migliaccio.
Após uma postagem intitulada "Para onde foi a classe média?", eis uma que intitulei "Para onde estão indo os megarricos?".
"Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem", eis a célebre súplica feita por um mestre que deixou esta dimensão há 1984 anos. Uma súplica bastante abrangente, mas onde não estão incluídos os protagonistas da reportagem acima, pois os megarricos sabem o que fazem. E justamente por saberem o que fazem, o que fazem eles agora? Acostumados a comprarem tudo e todos, eles partem para a compra de um lugar onde possam encontrar "proteção contra o futuro colapso do sistema capitalista" e onde possam "sobreviver caso a crescente desigualdade venha a provocar uma revolta popular". Enfim, um lugar onde possam fugir das consequências do que – sabendo o que fazem - eles fizeram até aqui. Vocês lembram um trecho de uma bela canção da Legião Urbana que diz "Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação"? Mutatis mutandis, cantado pelos megarricos ele fica assim: "Nós fugiremos desses monstros da nossa própria criação".
"A chegada de imigrantes ricos ao país ganhou destaque na semana passada com a notícia de que Peter Thiel, cofundador do PayPal, estava entre os 92 candidatos a quem foi secretamente concedida a nacionalidade neozelandesa, contornando os trâmites regulares.", diz a reportagem.
Interpretar a concessão secreta de alguma coisa, contornando os trâmites regulares, como prática de corrupção faz sentido para vocês?
"As vistas são deslumbrantes: cervos selvagens circulam pela área e uma floresta oferece lenha suficiente para aquecer qualquer bilionário que se respeite mesmo no pior inverno nuclear.", diz a reportagem.
Depois de destruírem tanta "deslumbrância" e exterminarem tantos animais selvagens em busca do lucro que os colocou na condição de megarricos, eles saem por aí comprando vistas deslumbrantes onde ainda circulem alguns espécimes que tenham conseguido sobreviver e onde ainda existe "uma floresta que oferece lenha suficiente para aquecer qualquer bilionário que se respeite mesmo no pior inverno nuclear". "Um bilionário que se respeite mesmo no pior inverno nuclear", e que nada mais respeite mesmo na melhor das demais estações. Sinistro, não.
Publicado em 2007 pela Editions du Seuil e em 2010 pela Editora Globo há um interessante livro de Hervé Kempf que na edição brasileira recebeu o seguinte título: Como os ricos destroem o planeta. Os vermelhitos não são meus, e sim da própria editora.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Para onde foi a classe média?

Economista do MIT defende que os EUA se tornaram uma nação só de ricos e pobres
A economia norte-americana, quem diria, com ares terceiro-mundistas. No lugar de uma classe média historicamente robusta, ganham cada vez mais espaço dois grupos separados por um abismo: ricos e pobres. E quem antes estava no meio perde seu poder de compra. É o que mostra Peter Temin, economista do MIT, em seu livro The Vanishing Middle Class: Prejudice and Power in a Dual Economy ("A classe média desaparecida: preconceito e poder em uma economia dupla", sem edição no Brasil). Para ele, os Estados Unidos são hoje uma sociedade fraturada, por diversos motivos: políticas públicas, avanço da tecnologia, declínio da sindicalização – e tudo isso intensificado por questões raciais, num país cujo presidente defende que os inimigos são as minorias étnicas e não os poderosos que fogem dos impostos. Mas não é um caminho sem volta. O remédio óbvio é o de sempre: mais investimento em educação em todos os níveis. As pessoas são o principal recurso do país, escreve Temin.
Esta é a íntegra de uma reportagem de Edson Caldas publicada na edição de agosto de 2017 da revista Época Negócios.
Para onde foi a classe média? Considerando o que defende o economista do MIT – "que os EUA se tornaram uma nação só de ricos e pobres" –, no meu entender, ela foi transferida para as duas classes remanescentes, segundo a seguinte proporção: uma parcela ínfima foi para a dos ricos e uma imensa parcela foi para a dos pobres.
Quanto à afirmação de Peter Temin de que "Não é um caminho sem volta. Que o remédio óbvio é o de sempre: mais investimento em educação em todos os níveis, pois as pessoas são o principal recurso do país.", a comparação com algo que li em um artigo de Mauro Santayana publicado na edição de 22 de junho de 2008 do Jornal do Brasil sob o título A guerra entre os ricos e os pobres é, no meu entender, bastante desanimadora.
"Entre as assustadoras denúncias de projetos do neoliberalismo e da globalização, para a exclusão, há a de um encontro ocorrido na Califórnia, nos anos 80, em que alguns economistas e sociólogos, americanos e europeus, sob o patrocínio dos banqueiros, concluíram que era necessário afastar do consumo 4/5 da população mundial, a fim de garantir o padrão de vida dos 20% restantes. Os demais deveriam ser marginalizados da comunidade planetária, até sua extinção, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra. Os fatos parecem confirmar esse monstruoso projeto, que a consciência ética (a cada dia mais escassa) abomina."
Nove anos após a publicação do artigo, no meu entender, "os fatos continuam parecendo confirmar esse monstruoso projeto" e em nada sugerem que "o remédio óbvio de sempre: mais investimento em educação em todos os níveis" citado por Temin será aplicado, pois, diferentemente do que ele acha, as pessoas não são o principal recurso do país. Até porque, em uma civilização (sic) que tem como uma de suas principais pretensões a substituição de pessoas por robôs, dizer que pessoas são o principal recurso de um país é algo que, para mim, não faz o menor sentido.
Considerando respondida a pergunta – Para onde foi a classe média? – faço aqui outra pergunta: Para onde irá a classe pobre? E para respondê-la, mais uma vez, recorro às palavras de Mauro Santayana.
Diante da "necessidade" de "afastar do consumo 4/5 da população mundial, a fim de garantir o padrão de vida dos 20% restantes", descobrir para onde irá a classe pobre é algo que, no meu entender, fica fácil se nas palavras de Santayana substituirmos a parte representada em percentual e representarmos tudo em forma de fração, e eu explico. Considerando que, em forma de fração, 20% significa um quinto, a resposta para a pergunta - Para onde irá a classe pobre? -, pode ser encontrada na leitura do próximo parágrafo.
Se, a fim de garantir o padrão de vida do quinto onde estão situados os ricos, torna-se necessário afastar do consumo os quatro quintos onde estão situados os pobres, como será a melhor forma de realizar tal afastamento? Enviando-os para algum lugar distante como sugere a opinião dos participantes do encontro citado por Mauro Santayana: "(...) deveriam ser marginalizados da comunidade planetária, até sua extinção, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra". Em outras palavras: a fim de garantir o padrão de vida de um quinto o jeito será enviar os outros quatro quintos para os quintos dos infernos.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ficção científica faz 'alerta' sobre futuro distópico

Mais do que simplesmente uma discussão sobre as possibilidades que a ciência e a tecnologia oferecem, a ficção científica também pode servir para alertar sobre consequências catastróficas que elas podem causar.
É comum, por exemplo, ler histórias sobre como a inteligência artificial vai tornar os computadores tão inteligentes a ponto de eles se voltarem contra os humanos num futuro longínquo. Recentemente, a série britânica Black Mirror, exibida no Brasil pelo serviço de streaming Netflix, deixou muita gente de cabelo em pé ao contemplar, por exemplo, as possibilidades imersivas da realidade virtual ou a vida em uma sociedade movida pela aprovação – ou pelo 'curtir' – dos outros. A histeria foi tanta que até gerou um bordão, usado frequentemente ao se comentar novidades da tecnologia: "Meu, isso é muito Black Mirror!".
"Essa é uma das principais diferenças da ficção científica e da fantasia: normalmente, a primeira nos mostra coisas que a gente não quer que aconteça", diz Walda Roseman, presidente da Fundação Arthur C. Clarke, dedicada ao autor de 2001 – Uma Odisséia no Espaço e O Fim da Infância. "Clarke dizia que, ao imaginarmos algo assim, talvez já tenhamos aberto a caixa de Pandora.".
Para a maioria dos entrevistados para esta reportagem, uma das principais funções da ficção científica- se é que a arte precisa de uma função própria – é a de servir como alerta. "Muita gente se questiona se tanta tecnologia (e ficção) vai de fato melhorar a nossa vida", diz Fábio Gandour, cientista-chefe do laboratório da IBM no Brasil. "Precisamos acreditar que sim, porque faz parte da luta pela sobrevivência do ser humano. A realidade tem que ter mais elementos utópicos do que distópicos.".
Estes são alguns trechos de uma reportagem de Bruno Capelas publicada na edição de 02 de abril de 2017 do jornal O Estado de S. Paulo.
"Ficção científica faz 'alerta' sobre futuro distópico", diz o título da reportagem de Bruno Capelas, pois, "Mais do que simplesmente uma discussão sobre as possibilidades que a ciência e a tecnologia oferecem, a ficção científica também pode servir para alertar sobre consequências catastróficas que elas podem causar.". Aliás, se atentarmos para o significado de ficção científica encontrável em dicionários, creio que ela não só pode como também deve servir para tal alerta, conforme se pode deduzir a partir do seguinte significado encontrado em um deles. Ficção científica: ficção (coisa imaginária) cujo enredo se baseia, em geral, no desenvolvimento científico e nas situações decorrentes de tal desenvolvimento no tempo e no espaço.
Considerando que, em uma civilização (sic) onde existem o bem e o mal, o que decorre do desenvolvimento científico pode ser usado para o bem e / ou para o mal, creio que seja a partir dessa consideração que devemos escolher de que lado ficar em relação à afirmação feita pelo cientista-chefe no último parágrafo da reportagem e reproduzida a seguir.
"Muita gente se questiona se tanta tecnologia (e ficção) vai de fato melhorar a nossa vida", diz Fábio Gandour, cientista-chefe do laboratório da IBM no Brasil. "Precisamos acreditar que sim, porque faz parte da luta pela sobrevivência do ser humano. A realidade tem que ter mais elementos utópicos do que distópicos."
Discordo de Gandour quando diz: "Precisamos acreditar que tanta tecnologia (e ficção) vai de fato melhorar a nossa vida, porque faz parte da luta pela sobrevivência do ser humano. A realidade tem que ter mais elementos utópicos do que distópicos.". Por que discordo? Porque é por acreditar que tudo irá sempre melhorar a sua vida que a tal da espécie inteligente jamais se preparou adequadamente para enfrentar o que de mal pudesse vir a lhe acontecer. Por que é por acreditar em desenvolvedores de tecnologia que inúmeras vezes ela já se deu mal, para não usar aqui um linguajar mais contundente. Vocês já ouviram falar de um navio chamado Titanic? Pois é. Acreditar que ele jamais afundaria, conforme garantido por seus construtores, forneceu a primeira condição para a ocorrência do naufrágio. Será que acreditar em desenvolvedores de tecnologia quando afirmam que "tanta tecnologia vai de fato melhorar a nossa vida" será a primeira condição para a ocorrência de uma nova tragédia?
Entre Gandour e "Muita gente que se questiona se tanta tecnologia (e ficção) vai de fato melhorar a nossa vida", fico com essa "Muita gente". Não, ao contrário do que afirma Gandour, "A realidade não tem que ter mais elementos utópicos do que distópicos.", pois o que a realidade tem, e que terá sempre, são, os elementos criados pelos indivíduos que formam essa coisa denominada civilização (sic). Essa coisa que ao colocar o dinheiro e o lucro em primeiro lugar deixa as pessoas relegadas a sei lá que lugar.
Em uma civilização em que tudo está a serviço do dinheiro e do lucro, também a tecnologia está a serviço desses dois deuses – o dinheiro e o lucro. E em qualquer civilização em que o topo do Olimpo esteja ocupado por eles, "Mais do que simplesmente uma discussão sobre as possibilidades que a ciência e a tecnologia oferecem, a ficção científica também pode servir para alertar sobre consequências catastróficas que elas podem causar.". Sim, nesta civilização (sic) em que sobrevivemos, "ao se comentar novidades da tecnologia, 'Meu, isso é muito Black Mirror!'", é um bordão que continuará sendo usado frequentemente.".

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Tragédia em caçada: Caçador morre esmagado no Zimbábue

Um grande caçador foi esmagado até a morte por um elefante abatido por um membro do seu grupo. Theunis Botha, de 51 anos, morreu quando o animal caiu em cima dele, durante uma expedição de caça em Gwai, Zimbabwe, na sexta-feira.
Seu grupo se deparou com uma manada de elefantes em reprodução e disparou contra os animais, segundo relatos. Alarmados pelos intrusos, os elefantes correram contra os caçadores e um deles atingiu o Sr. Botha com seu tronco. Um membro do grupo de caça baleou o elefante, na esperança de que ele se afastasse de Botha, mas, em vez disso, o animal ferido (que morreu posteriormente) caiu bem em cima dele e o esmagou até a morte.
O Sr. Botha era um caçador muito conhecido, que liderava caçadas a leões e leopardos para sua empresa, Game Hounds Safaris. A empresa disse que ele era pioneiro no estilo de caça europeia chamado "monteiro", na qual matilhas de cães são utilizadas para conduzir javalis e veados até os caçadores. Ele já viajou muitas vezes para os Estados Unidos em busca de americanos ricos e interessados em participar de expedições e obter troféus de caça.
Ele deixou uma esposa, Carike, e cinco filhos, e todos eles vivem em Tzaneen, África do Sul. Carike, esposa do Sr. Botha deve viajar até Zimbabwe para buscar o corpo do marido. O Sr. Botha era amigo do caçador Scott Van Zyl, de 44 anos, que foi morto por crocodilos em Zimbabwe no mês passado.
Um porta-voz da Zimbabwe Parks & Wildlife Authority disse que o incidente aconteceu na Good Luck Farm, nas proximidades do Hwange National Park.
Esta é a íntegra de uma notícia publicada pelo Yahoo Notícias (https://br.yahoo.com/noticias/cacador-e-esmagado-ate-morte-por-queda-de-elefante-abatido-080954865.html) em 23 de maio de 2017.
"Tragédia em caçada: Caçador morre esmagado no Zimbábue"! Será este o melhor título para a notícia apresentada acima? No meu entender, não. Que título eu lhe daria? "Justiça em caçada: Caçador morre esmagado no Zimbábue"! E para justificar tal título, recorro à seguinte passagem da Doutrina Secreta.
"O Karma não cria nem planeja nada. É o homem quem planeja e cria causas, e a Lei Cármica ajusta o efeito. Tal ajustamento não é um ato, mas a harmonia universal, que tende sempre a reassumir sua posição original, tal qual um galho de árvore que, puxado violentamente para baixo, retorna com igual violência. Se o braço que o puxou se deslocar ou quebrar, quem teria sido o causador do sofrimento? O galho ou a nossa insensatez?"
Se "o grande caçador que buscava americanos ricos e interessados em participar de expedições e obter troféus de caça", foi esmagado até a morte por um elefante que, após ser baleado por um membro do grupo de caça por ele comandado, sobre ele desabou, "quem teria sido o causador do sofrimento"? O elefante ou a insensatez do caçador esmagado? Qual a melhor classificação para o ocorrido? Uma tragédia ou um raro caso de aplicação imediata de justiça? O que vocês acham?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Empresas trocam avaliação convencional por conversa

Notas e formulários são aposentados para reduzir burocracia e aumentar engajamento dos funcionários
A efetividade do modelo tradicional de avaliação de desempenho – com formulários, notas e balanços anuais – vem sendo questionada por todos: especialistas, empresas e funcionários.
"De que adianta existir uma ferramenta se ela não é valorizada pelos gestores?", afirma Bruno Andrade, líder da área de engajamento da consultoria Aon Brasil. Para ele, os profissionais encaram a avaliação de forma protocolar, porque não acham que o processo leva a algum lugar. Outro motivo de resistência, segundo ele, é a presença das notas, que "rotulam e limitam".
"Sempre me incomodou esse negócio de ter que encaixar as pessoas dentro de blocos. Cada ser humano é tão complexo. Isso não faz o menor sentido", afirma a economista Renata Freezs, 39, gerente de estratégia e mercado da Klabin, fabricante de papel e celulose.
A empresa começou a eliminar o sistema tradicional de avaliação de desempenho no fim de 2015. Hoje, o processo já está consolidado. No lugar de formulários, notas e feedbacks, entraram "conversas de qualidade", nas quais líder e funcionário discutem as oportunidades de crescimento – e não mais as falhas cometidas. Depois da mudança, Freezs passou a fazer reuniões semanais com sua equipe e, a cada três meses, conversas individuais. "É um processo mais maduro e humano. Demanda tempo, mas vejo isso como um investimento", diz.
"O termo feedback se desgastou com o tempo. Passou a ser algo desconfortável para os dois lados", diz Sergio Piza, diretor de gente e gestão da companhia. Ele conta que, no começo, os líderes foram treinados para criar planos de desenvolvimento construtivos, não reativos. "Não vou pensar no defeito da pessoa, mas tentar entender o que ela precisa para entregar mais resultado.". A redução da burocracia, na visão de Piza, traz de volta o que realmente interessa: o desenvolvimento dos profissionais. "A gente ganhou tantas ferramentas que elas acabaram se tornando o fim, não o meio.".
Para a psicóloga Izabela Mioto, professora dos cursos de pós-graduação de administração da FAAP, a tendência é que as empresas, aos poucos, comecem a rever seus sistemas de avaliação. "Mas não adianta buscar uma roupagem moderna se não houver formação de líderes com esse entendimento. O processo vai levar para o mesmo lugar", afirma.
SEM NOVIDADE
Nem todo mundo concorda que a falta de eficácia dos sistemas de avaliação está na ferramenta em si. "Não há nada de novo em promover conversas, sem um balanço anual. Já fazíamos isso na década de 1980", diz a psicóloga Leni Hidalgo, professora de gestão de pessoas do Insper. Segundo a especialista, se os chefes só dão feedbacks aos funcionários uma vez ao ano, esse é um problema de gestão, não do instrumento. "Eliminar a burocracia pela burocracia é importante, mas não podemos jogar o bebê junto com a água da bacia. Temos que eliminar só o que é ruim", afirma.
A administradora Carolina Souza, 34, trabalha na fábrica de bebidas Diageo há quatro anos. "A empresa leva muito a sério a avaliação, e esse é um fator de retenção para mim", conta a gerente sênior de marketing. Para Souza, as janelas formais garantem a transparência do processo, já que, de uma forma ou de outra, os profissionais serão analisados – o que pode influenciar nas promoções. "Aqui, me sinto muito segura porque sei o que esperam de mim e vejo que o método é justo".
Estes são alguns trechos de uma reportagem de Carolina Muniz, publicada na edição de 9 de abril de 2017 do jornal Folha de S.Paulo.
"A pessoa sai do teatro corporativo, mas o teatro corporativo não sai da pessoa.". Aposentado há seis anos e meio, após 3,7 décadas de atuação no referido teatro, reportagens sobre ele ainda mexem comigo. Até porque, em termos de ambiente de trabalho e de relações interpessoais, parece que nele nada muda para melhor. Li a reportagem acima e lembrei muito do que nele passei. É impressionante!
Empresas trocam avaliação convencional por conversa, eis o título da reportagem. E, pelo que entendi ao lê-la, avaliação convencional significa avaliação realizada usando uma ferramenta. Ou seja, segundo a reportagem, o que as empresas estão fazendo é abandonar as ferramentas. Será que dá para acreditar nisso? Sei não! Por que digo isso? Porque, em termos de avaliação, o que sempre vivenciei no teatro corporativo foi o desconforto dos chefes em sentar diante de cada subordinado e, olhos nos olhos, dizer-lhe porque receberia ou não uma promoção ou um aumento de salário.
Não, as avaliações de subordinados não passaram a ser algo desconfortável com o passar do tempo, como diz Sergio Piza, diretor de gente e gestão da Klabin; elas sempre foram desconfortáveis. Na empresa onde trabalhei durante 3,6 décadas, segundo as normas do RH, os chefes deveriam comunicar a cada um de seus subordinados não só o resultado de sua avaliação, mas também o porquê do resultado. E caso tivesse sido insatisfatório, um plano de ação para melhorar o rendimento do avaliado deveria ser implementado. Durante toda a minha vida profissional jamais vi colocadas em prática tais normas do RH.
E motivados pelo desconforto causado pela comunicação da avaliação face a face com cada subordinado, de bom grado, os chefes aderiram à prática de comunicá-la usando alguma ferramenta, ou seja, interpondo uma interface entre eles e os subordinados.
"Nem todo mundo concorda que a falta de eficácia dos sistemas de avaliação está na ferramenta em si. (...) Segundo a psicóloga Leni Hidalgo, professora de gestão de pessoas do Insper, se os chefes só dão feedbacks aos funcionários uma vez ao ano, esse é um problema de gestão, não do instrumento."
Concordo plenamente que "esse é um problema de gestão, não do instrumento.". Até porque, no meu entender, a própria (ou seria imprópria?) decisão de transferir para um instrumento a responsabilidade por uma tarefa que compete aos chefes, independentemente da periodicidade com que se dão feedbacks aos funcionários, por si só, já evidencia a existência de um problema de gestão.
Há muitos anos, em um daqueles cadernos contendo reportagens sobre administração que faziam parte das edições dominicais dos jornais, li uma frase que jamais esqueci: "Em uma empresa, todos os problemas são humanos, e todos os humanos são problemas.". Ou seja, se, verdadeiramente, desejarmos solucionar os problemas existentes em uma empresa, creio que o único caminho que nos levará a ter êxito em tal intento seja parar de culpar as ferramentas pela existência dos problemas e aceitar que a responsabilidade de resolvê-los compete aos humanos que nela atuam. Vocês concordam com essa afirmação?