segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Personalidade sofre mudanças da adolescência à terceira idade, mostra estudo

Quanto você muda entre o ensino médio e a aposentadoria?
Os resultados de um novo estudo – o primeiro a investigar como a personalidade pode mudar ao longo de 50 anos com base na mesma fonte de dados nos dois pontos do tempo – indica que os padrões mais amplos de pensamentos, sentimentos e comportamentos, ou seja, a personalidade de um modo geral, de fato mudam, e essas mudanças se acumulam com o tempo. Mas não se compare aos outros. Ainda de acordo com o estudo, aqueles que eram mais estáveis emocionalmente na juventude provavelmente continuam a ser mais estáveis à medida que envelhecem.
- Os rankings (de traços de personalidade) se mantêm bem consistentes – explica Rodica Damian, professora assistente de psicologia da Universidade de Houston, nos EUA, e primeira autora do estudo, publicado ontem no periódico "Journal of Personality and Social Psychology". – Mas em média as pessoas ficam mais conscienciosas, emocionalmente estáveis e agradáveis.
Ainda assim, diz Damian, a pesquisa encontrou diferenças individuais nas mudanças ao longo do tempo, com algumas pessoas alterando suas personalidades mais que outras, e algumas mudanças se mostrando para pior ou danosas.
Os cientistas sociais há muito debatem se a personalidade é estável – isto é, não muda com o tempo – ou maleável. Pesquisas recentes indicam que a resposta pode ser ambos, mas estudos longitudinais cobrindo períodos muito longos e com as mesmas fontes de dados nos diversos pontos do tempo são raros.
Diante disso, a nova pesquisa apoia a ideia de que a personalidade é influenciada tanto pela genética quanto pelo ambiente. Segundo Damian, embora haja diferenças de gênero nos traços de personalidade, de modo geral homens e mulheres mudam a taxas similares ao longo do tempo.
Esta é a íntegra de uma notícia publicada na edição de 18 de agosto de 2018 do jornal O Globo.
É impressionante a quantidade de novidades antigas que cada vez mais nos são apresentadas! É impressionante a quantidade de estudos e de pesquisas que nos são apresentados como descobridores de coisas que indivíduos - que conscientemente observem o que acontece ao seu redor - já haviam percebido com relativa facilidade.
A leitura do título da notícia que provocou esta postagem, imediatamente, me fez lembrar uma afirmação de Howard Hendricks (1924 - 2013) que, por considerá-la importante demais, uso-a como ilustração no blog espalhandoideias.blogspot.com. Qual é a afirmação? "Daqui a cinco anos você estará bem próximo de ser a mesma pessoa que é hoje, exceto por duas coisas: os livros que ler e as pessoas de quem se aproximar".
Ou seja, segundo Howard Hendricks, independentemente do período da vida em que se esteja, os pensamentos, sentimentos e comportamentos, ou seja, a personalidade de um modo geral, (conforme é definida na notícia) - sofre mudanças em função daquilo que se lê e das pessoas com quem se interage. Portanto, no meu entender, a novidade trazida pela notícia já era do conhecimento de Hendricks.
"Ainda assim, diz Damian, a pesquisa encontrou diferenças individuais nas mudanças ao longo do tempo, com algumas pessoas alterando suas personalidades mais que outras, e algumas mudanças se mostrando para pior ou danosas."
Eis mais uma novidade conhecida mostrada pelo recente estudo. Afinal, embora, em sua maioria, a população deste planeta seja constituída por indivíduos do tipo Maria vai com as outras, é fato que sempre existiram, e, felizmente, creio que sempre existirão diferenças individuais nas mudanças ao longo do tempo. E, infelizmente, algumas mudanças para pior. Mas as novidades conhecidas não param por aqui e o parágrafo abaixo mostra mais uma.
"Os cientistas sociais há muito debatem se a personalidade é estável – isto é, não muda com o tempo – ou maleável. Pesquisas recentes indicam que a resposta pode ser ambos."
Pesquisas recentes e conhecimentos antigos! Afinal, será que algum de vocês não conhece indivíduos que se enquadrem nos dois seguintes tipos? Os que vivem essa coisa denominada vida embalados pelo espírito de Gabriela ("Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim.") e os que a vivem enxergando-a como uma oportunidade evolutiva para tornarem-se cada vez melhores e assim contribuírem para que algum dia a pretensa espécie inteligente do universo possa fazer jus a essa expressão.
E já que "a resposta ao debate travado pelos cientistas sociais é 'ambos'", que tal empenharmo-nos em usar o tempo que nos foi dado para mudarmos (para melhor) nossa personalidade e nos tornarmos indivíduos cada vez melhores? Por que lhes faço tal exortação? Porque, como digo em meu perfil no blog, "sou alguém que acredita que a qualidade de uma sociedade é resultado das ações de todos os seus componentes".

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Berners-Lee quer agora consertar a web

O criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, reconhece que sua invenção, apesar de atingir metade da população global, fracassou. A centralização do poder nas gigantes do Vale do Silício resultou, diz ele, num ambiente anti-humano. Para tentar consertá-lo, Berners-Lee trabalha agora no projeto Solid, cujo objetivo é descentralizar a rede, garantir ao internauta controle sobre os próprios dados e sobre o conteúdo que produz – e recuperar o espírito democrático dos primórdios da internet.
Esta é a íntegra de uma notícia publicada na edição de 08 de julho de 2018 do jornal O Estado de S. Paulo, na coluna de Helio Gurovitz.
"Nossas invenções costumam tornar-se bonitos brinquedos que distraem nossa atenção das coisas sérias. Elas são tão somente meios aperfeiçoados para um fim não aperfeiçoado, um fim que já era fácil demais atingir, como estradas de ferro que levam de Boston a Nova York. Nós estamos com enorme pressa em construir um telégrafo magnético do Maine para o Texas; mas pode ser que o Maine e o Texas nada tenham de importante a comunicar. É como se o objetivo principal fosse falar depressa e não falar sensatamente." (os grifos são meus)
Ditas por Henry David Thoreau há 157 anos, as palavras acima foram lembradas por mim ao ler a notícia que provocou esta postagem. Notícia na qual é dito que alguém que criou algo que atinge metade da população global reconhece que sua invenção fracassou. Invenção que, por ter "caído em poder de seres errados", segundo o inventor, "resultou num ambiente anti-humano". Um ambiente anti-humano que, no meu entender, pode ser explicado pela seguinte afirmação de Alexis Carrel (1873 – 1944): "A civilização não tem como finalidade o progresso das máquinas, mas, sim o do homem." Considerando que nossa atenção volta-se inteiramente para as máquinas, a criação de ambientes anti-humanos torna-se uma consequência "natural" do descaso com o homem.
"Para tentar consertá-lo (o ambiente anti-humano) Berners-Lee trabalha agora em um projeto que busca recuperar o espírito democrático dos primórdios da internet.", diz a referida notícia. E ao ler isto, lembro de algo dito por Albert Einstein (1879 – 1955): "Não se pode resolver um problema usando o mesmo raciocínio que o criou". Em outras palavras, um problema criado usando o pensamento tecnológico não pode ser resolvido tecnologicamente.
Juntando as afirmações de Alexis Carrel e de Albert Einstein reproduzidas acima, chego à seguinte conclusão. Para solucionar os problemas resultantes da prioridade dada à tecnologia em detrimento do homem, creio que o caminho seja a busca da "convivência" ideal do homem com a tecnologia colocada ao seu dispor. E após as duas lembranças citadas nos dois parágrafos anteriores, o método das recordações sucessivas, me faz lembrar aqui o seguinte trecho da postagem publicada no blog Espalhando ideias em 16 de fevereiro de 2018.
"Perguntado sobre o que seus filhos pensavam do primeiro iPad, Steve Jobs, co-fundador da Apple, respondeu assim: "Eles não o usam. Nós limitamos a quantidade de tecnologia que nossos filhos usam em casa". E ao falar em "limitar a quantidade de tecnologia a ser usada" imediatamente me vem à mente uma afirmação de Amber Case citada na postagem O desafio da tecnologia é ser útil, publicada no blog Lendo e opinando em 23 de agosto de 2016, na qual é apresentada uma reportagem homônima publicada no jornal O Estado de S. Paulo. Qual é a afirmação? "A quantidade ideal de tecnologia na vida de uma pessoa é a mínima necessária.".
Limitar à mínima necessária a quantidade de tecnologia na nossa vida! Será essa a solução para escapar do ambiente anti-humano que Berners-Lee (o criador da World Wide Web) tenta consertar usando o mesmo raciocínio que resultou em tal ambiente? A quem parecerem absurdas a recomendação e a indagação que acabam de serem feitas, sugiro a leitura da reportagem de Rosane Serro publicada na edição de 07 de julho de 2018 do jornal O Globo. Intitulada Radicais livres, ela tem, na primeira página do jornal, uma chamada na qual, ao lado de uma foto de Jaron Lanier, estão as seguintes palavras: "SEM CONEXÃO...Trinta anos depois, profetas da internet como Jaron Lanier defendem a vida 'offline'." Com a intenção de aguçar-lhes a curiosidade, segue o subtítulo da reportagem.
"Precursores da internet se transformam em militantes anti-digital. Pensadores que viam o mundo virtual como a nova fronteira da Humanidade agora pregam a desconexão em massa e a volta ao analógico. Até o criador da World Wide Web se diz arrependido. Saiba o que fez os 'digerati' mudarem radicalmente de ideia em três décadas e veja como eles vivem em um planeta hiperconectado"
A reportagem de Rosane Serro é interessantíssima e vale a pena lê-la.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Assistente do Google poderá marcar horário em salão de beleza

Empresa mostrou novas tecnologias em evento na Califórnia, mas citou preocupação com uso excessivo de aparelhos
Um sistema de inteligência artificial capaz de escrever um email para o usuário com a sugestão de apenas algumas frases ou marcar um horário no salão de beleza pelo telefone conversando com um atendente humano. Essa foi a visão de futuro, às vezes nem tão distante, exibida ontem pelo Google na abertura de sua conferência de desenvolvedores anual, O Google I/O, em Mountain View, nos Estados Unidos.
No evento que durou cerca de duas horas, a empresa fez demonstrações de como a inteligência artificial vai chegar a muitos de seus serviços nas próximas semanas. "Estamos perto de um ponto de inflexão na computação", disse o presidente executivo do Google, Sundar Pichai. "A responsabilidade é maior e, embora a tecnologia possa ser uma força positiva, há questões sobre o impacto que ela poderá ter na nossa vida e precisamos seguir com cautela."
O discurso de abertura de Pichai deu o tom dos anúncios: apesar da visão progressista, o gigante das buscas também adotou postura sóbria em relação à sua responsabilidade em tópicos como privacidade e uso excessivo da tecnologia. Dois objetivos que parecem contraditórios, uma vez que, para os sistemas "aprenderem" mais sobre as pessoas, os usuários têm de usá-los mais e dividir dados.
O maior desafio em inteligência artificial, segundo o executivo, é aprimorar o assistente pessoal Google Assistant, presente em mais de 500 mil dispositivos em todo o mundo. Para isso, além de melhorar a capacidade do software de aprender, é também preciso aprimorar reconhecimento e processamento de voz.
No Google I/O, Pichai anunciou que avanços nessa área vão permitir que o Assistant ligue para um restaurante ou para um salão de cabeleireiro para reservar um horário. A demonstração impressionou o público presente na conferência pela semelhança com a fala humana. "Ainda achamos que vamos precisar de mais algum tempo para liberar isso", disse ele. "Se fizermos direito, pode ter impacto enorme na vida das pessoas."
Bem-estar. A empresa também exibiu preocupação com o uso excessivo de tecnologia ao falar da nova versão de seu sistema operacional, o Android P. "Vamos mostrar em um painel de controle que revela quantas vezes você desbloqueou o smartphone ou recebeu notificações ao longo do dia", disse Pichai. Na nova versão do Android, prevista para o fim do ano, haverá recursos, por exemplo, para determinar o tempo máximo de uso de um aplicativo ou um horário limite, à noite, para o smartphone receber notificações.
Apesar de ter citado a privacidade no evento, pouco se viu sobre o que o Google está fazendo para reduzir a coleta excessiva de dados dos usuários. Talvez o gigante das buscas ainda não tenha se dado conta, apesar do escândalo recente do Facebook e do início da vigência da nova lei de proteção de dados pessoais da União Européia, que o assunto está mais perto de bater à sua porta do que imagina.
Esta é a íntegra de uma reportagem de Claudia Tozetto (enviada a Mountain View [EUA]) publicada na edição de 09 de maio de 2018 do jornal O Estado de S. Paulo. A repórter viajou a Mountain View (EUA) a convite do Google.
"A responsabilidade é maior e, embora a tecnologia possa ser uma força positiva, há questões sobre o impacto que ela poderá ter na nossa vida e precisamos seguir com cautela.", disse o presidente executivo do Google, Sundar Pichai. "Vamos mostrar em um painel de controle que revela quantas vezes você desbloqueou o smartphone ou recebeu notificações ao longo do dia", disse também Pichai, em uma declaração classificada pela repórter como exibição de preocupação com o uso excessivo de tecnologia.
Ou seja, em um painel de controle será mostrado aos viciados em tecnologia o seu descontrole no uso da dita cuja. Sinistro, não? Por quê? Porque, no meu entender, o efeito será semelhante ao que se tem quando tenta-se mostrar a um alcoólico o seu descontrole no uso de bebidas alcoólicas. Ou seja, nenhum.
"Apesar de ter citado a privacidade no evento, pouco se viu sobre o que o Google está fazendo para reduzir a coleta excessiva de dados dos usuários", diz Claudia Tozetto. Ou seja, é aquela antiga e sinistra contradição entre o que se fala e que se faz. Contradição evidenciada pela repórter no seguinte trecho de sua interessante reportagem:
"O discurso de abertura de Pichai deu o tom dos anúncios: apesar da visão progressista, o gigante das buscas também adotou postura sóbria em relação à sua responsabilidade em tópicos como privacidade e uso excessivo da tecnologia. Dois objetivos que parecem contraditórios, uma vez que, para os sistemas "aprenderem" mais sobre as pessoas, os usuários têm de usá-los mais e dividir dados."
"No Google I/O, Pichai anunciou que avanços nessa área vão permitir que o Assistant ligue para um restaurante ou para um salão de cabeleireiro para reservar um horário. A demonstração impressionou o público presente na conferência pela semelhança com a fala humana.", diz Claudia Tozetto.
E ao revelar o efeito provocado no público pela demonstração feita pelo presidente executivo do Google, Claudia Tozetto me faz lembrar a seguinte passagem do livro "O Ato da Vontade", de Roberto Assagioli (psiquiatra italiano, pioneiro nos campos da Psicologia Humanística e Transpessoal e fundador da Psicossíntese), publicado no longínquo (!) ano de 1973.
"Se um homem de uma civilização anterior à nossa – um grego da Antiguidade, digamos, ou um romano – aparecesse de súbito entre os seres humanos do presente, suas primeiras impressões o levariam a considerá-los uma raça de mágicos, de semideuses. Mas fosse um Platão ou um Marco Aurélio e se recusasse a ficar deslumbrado ante as maravilhas materiais criadas pela tecnologia avançada e examinasse a condição humana com mais cuidado, suas primeiras impressões dariam lugar a uma grande consternação.
Verificaria que esse pretenso semideus que controla grandes forças elétricas com o mover de um dedo e inunda o ar de sons e imagens para divertimento de milhões de pessoas – é incapaz de lidar com as próprias emoções, impulsos e desejos."
Ou seja, independentemente da civilização (sic) em que esteja inserido, a impressão causada em um indivíduo pelo que ele tem diante de si é algo que está diretamente relacionado ao seu estágio evolutivo.
E após ter feito referências a Platão e a Marco Aurélio, encerro esta postagem com uma afirmação atribuída a Paulo de Tarso (0005 – 0067) que, no meu entender, definiria sua atitude diante das "maravilhas materiais criadas pela tecnologia avançada": "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém." Será que tal afirmação nos sugere alguma coisa?

terça-feira, 27 de março de 2018

Mudança no estilo de vida evita câncer

Novos dados mostram que seria possível prevenir mais de 2,5 mil casos por semana
De cada dez casos de câncer registrados no Reino Unido, quatro poderiam ser evitados se os britânicos fizessem mudanças em seus estilos de vida, como consumir menos álcool, abandonar o cigarro e perder peso, entre outras medidas. Novos dados divulgados pelo instituto Cancer Research UK mostram que mais de 2,5 mil casos da doença por semana são evitáveis, sendo o tabaco e a obesidade os principais fatores.
- O câncer de pulmão responde por mais da metade dos casos da doença relacionados com o fumo, mas são registrados anualmente milhares de episódios casos de câncer de bexiga, esôfago e intestino, entre outros – explicou Katrina Brown, líder do estudo, ao "Guardian".
Os pesquisadores ligam o alerta para a obesidade. Enquanto o número de novos casos da doença relacionados com o tabaco diminui cerca de um ponto percentual ao ano – de 19,4% do total de casos em 2011 para 15,5% em 2015 -, por causa da redução do número de fumantes, o número de cânceres provocados pelo excesso de peso vem aumentando. Em 2011, eles representavam 5,5% dos casos contra 6,3% nesse último levantamento.
Esses números mostram que a batalha para vencer os cânceres relacionados com o fumo está longe do fim, mas a queda no número de fumantes mostra que as estratégias de prevenção estão funcionando – destacou Linda Bauld, pesquisadora do instituto. – A obesidade é uma grande ameaça à saúde agora, e a situação só vai piorar se nada for feito.
DANOS DA OBESIDADE
Em 2015, o tabaco foi responsável por cerca de 54,2 mil novos casos de câncer no Reino Unido. Já a obesidade está relacionada com 22,8 mil novos casos da doença. Segundo o instituto, a obesidade provoca 13 tipos diferentes de câncer, incluindo no intestino, nos rins, no útero e nas mamas. A terceira maior causa evitável de câncer é a exposição à radiação ultravioleta do Sol e câmaras de bronzeamento, que provocam cerca de 13,6 mil casos de câncer de pele por ano, 3,8% do total.
Outras causas evitáveis são o uso do álcool e o consumo insuficiente de fibra, responsáveis por 11,9 mil e 11,7 mil casos de câncer, respectivamente, e a poluição do ar, culpada por 3,6 mil cânceres de pulmão por ano.
Esta é a íntegra de uma notícia publicada na edição de 24 de março de 2018 do jornal O Globo.
"Mudança no estilo de vida evita câncer", diz o título da notícia. "Novos dados mostram que seria possível prevenir mais de 2,5 mil casos por semana", diz o subtítulo.
Mudança no estilo de vida e prevenção, eis duas ações imprescindíveis para evitar não só o câncer como também a infindável quantidade de doenças físicas, psicológicas, morais e espirituais que assolam esta insana civilização (sic) que tem na indústria da doença um de seus segmentos mais lucrativos.
Há uma frase, cujo autor desconheço, que diz o seguinte: "Cidade limpa não é a que mais se varre; é a que menos se suja.". Frase que, mutatis mutandis, resulta na seguinte: "Sociedade sã não é aquela em que mais se toma remédios; é aquela em que menos se adoece."
E prosseguem as paráfrases. "Sociedade onde menos se adoece não é aquela em que há mais médicos; é aquela em que médicos são menos necessários". É aquela em que o estágio evolutivo de seus integrantes já os possibilita entender que doenças são consequências naturais de estilos de vida equivocados, e que, consequentemente, evitá-las é algo que requer a adoção de estilos de vida saudáveis.
Adoção de estilos saudáveis, eis a solução para todo mal que assole uma sociedade. E para defender o que acabo de dizer, segue o título de uma notícia que eu gostaria muito de ver publicada: Mudança no estilo de direção evita mortes, mutilações e lesões irreversíveis que ocorrem no trânsito.
"A obesidade é uma grande ameaça à saúde agora, e a situação só vai piorar se nada for feito.", destacou Linda Bauld, pesquisadora do instituto Cancer Research UK. Sim, diante de qualquer coisa que nos ameace, sempre que nada for feito a situação só vai piorar. Vocês lembram uma frase que diz: "Vamos deixar como está para ver como é que fica"? Pois é. Fica sempre pior!
Sendo assim, com a intenção de evitarmos males cada vez piores, que tal passarmos a adotar estilos de vida cada vez melhores?

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Ex-funcionários do Facebook e Google se unem contra vício em tecnologia

Diversos profissionais de tecnologia do Vale do Silício que estiveram entre os primeiros empregados do Facebook e do Google, alarmados com os efeitos perversos das redes sociais e dos smartphones, estão se unindo para desafiar as empresas que ajudaram a construir.
Esses especialistas formaram uma organização chamada Centro para Uma Tecnologia Humana. Em parceria com a Common Sense Media, organização sem fins lucrativos que fiscaliza a mídia, o grupo planeja um esforço de lobby contra o vício em tecnologia e uma campanha de propaganda nas 55 mil escolas públicas dos EUA.
A campanha, intitulada "A Verdade Sobre a Tecnologia", terá verba de US$ 7 milhões, vinda da Common Sense e de capital arrecadado pelo Centro para Uma Tecnologia Humana, e terá por objetivo educar estudantes, pais e professores quanto aos perigos da tecnologia, entre os quais a depressão que pode ser causada pelo uso de mídia social.
"Nós estivemos do lado de dentro", disse Tristan Harris, ex-encarregado de questões éticas do Google e presidente da nova organização. "Sabemos o que essas empresas medem. Sabemos como elas falam, e sabemos como a engenharia funciona."
Esta é a íntegra de uma notícia publicada na edição de 06 de fevereiro de 2018 do jornal Folha de S.Paulo com a indicação de ter sido publicada no "New York Times" e com tradução atribuída a Paulo Migliaccio.
"Alarmados com os efeitos perversos das redes sociais e dos smartphones", diversos profissionais de tecnologia do Vale do Silício estão se unindo para desafiar as empresas que ajudaram a construir. Quando os próprios criadores alarmam-se com os efeitos perversos das coisas impróprias por eles criadas creio que a coisa esteja realmente feia!
"Nós estivemos do lado de dentro", disse Tristan Harris, ex-encarregado de questões éticas do Google e presidente da nova organização. "Sabemos o que essas empresas medem. Sabemos como elas falam, e sabemos como a engenharia funciona."
Sabedor de tais coisas, e "alarmado com os efeitos perversos daquilo que ajudou a criar", o que faz Tristan Harris? Para responder esta indagação, segue um trecho do artigo intitulado A Boceta de Pandora publicado na edição de 27 de outubro de 2017 do jornal Folha de S.Paulo na coluna assinada por Fernanda Torres.
"Tristan Harris, ex-empregado do Google, dedica-se ao estudo da manipulação mental da nova indústria. É um dos que, cientes do estrago, reflete sobre a possibilidade de, com a mesma ciência que criou o monstro, redefinir uma ética que influencie outros padrões na comunidade."
"Manipulação mental da nova indústria"! Sinistro, não? "Refletir sobre a possibilidade de, com a mesma ciência (a manipulação mental?) que criou o monstro, redefinir uma ética que influencie outros padrões na comunidade", eis algo temível para quem acredite na seguinte afirmação de Albert Einstein: "O mundo que criamos, como resultado de nosso pensamento, tem agora problemas que não podem ser resolvidos se pensarmos da mesma forma que quando os criamos". E ao falar em "ciência que criou o monstro", creio que seja válido reproduzir aqui algo que li no artigo de Fernanda Torres citado no segundo parágrafo acima.
"Justin Rosenstein, o criador do like do Facebook, e seus pares, e são muitos na reportagem (publicada no "Guardian"), explicam que todos os dispositivos psicológicos de adição foram usados para manter o internauta ligado ao smartphone."
"Dispositivos psicológicos de adição para manter o internauta ligado ao smartphone."! Que coisa sinistra, hein!
Citando mais um profissional de tecnologia do Vale do Silício "alarmado com os efeitos perversos das redes sociais e dos smartphones", segue um parágrafo extraído de uma notícia publicada na edição de 13 de dezembro de 2017 do jornal Folha de S.Paulo na coluna Toda Mídia assinada por Nelson de Sá, sob o título Cresce a reação viral às gigantes de tecnologia.
"O hoje investidor Chamath Palihapitiya, que foi vice-presidente para crescimento de usuários do Facebook, declarou publicamente na Universidade Stanford, no Vale do Silício, a 'tremenda culpa' que sente pela empresa que ajudou a construir. Recomendando aos estudantes uma 'forte ruptura' com mídia social, ele afirmou, como o site 'The Verge' noticiou, dando início à viralização do vídeo: 'Eu acho que nós criamos ferramentas que estão rasgando o tecido social, a maneira como a sociedade funciona'."
Uma organização chamada Centro para Uma Tecnologia Humana formada por renomados (e alarmados) profissionais de tecnologia promovendo uma campanha intitulada A Verdade Sobre a Tecnologia. Será que essa turma conseguiu, finalmente, enxergar a verdade expressa em uma afirmação feita pelo renomado físico brasileiro Marcelo Gleiser em entrevista publicada há quase dezessete anos (em 29 de julho de 2001) no caderno mais! (suplemento dominical do jornal Folha de S.Paulo) e reproduzida no próximo parágrafo?
"O cientista tem o dever moral de alertar a população não só para o lado luz, 'a ciência vai resolver os males do mundo', mas também mostrar o lado de que ela provoca vários desses males."
E para encerrar uma postagem cujo título fala em vício, segue uma frase publicada na edição de 03 de dezembro de 2017 do jornal Folha de S.Paulo, no espaço intitulado 'FRASES O Que Eles disseram. "Evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas, sinto que podem me fazer mal." (Jaron Lanier, Inventor da realidade virtual).