segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

A chocante reação do CEO do Mundial após mais uma morte de um trabalhador

Mundial 2022
Um trabalhador filipino morreu, na quarta-feira, durante obras de reparação no sistema de iluminação do hotel onde esteve instalada a Arábia Saudita durante o Mundial do Catar, após cair de uma empilhadora e bater com a cabeça no chão.
Nasser Al Khater, máximo responsável pela organização do Mundial, enviou as condolências à família, mas as restantes declarações do catari estão a originar muita polêmica.
"Estamos a ter um Mundial de enorme sucesso e a primeira pergunta que me faz é essa?", questionou Al Khater à reportagem da BBC. "A morte faz parte do ciclo natural da vida, seja no trabalho ou a dormir. Morreu um trabalhador, endereçamos as condolências à família, mas é estranho que o primeiro foco seja este assunto", disse o CEO da prova.
Esta é a íntegra de uma notícia publicada no endereço https://www.abola.pt/nnh/2022-12-08/mundial-2022-a-chocante-reacao-do-ceo-do-mundial-apos-mais-uma-morte-de-um-traba/967831 em 08 de dezembro de 2022.
"Morreu um trabalhador, endereçamos as condolências à família, mas é estranho que o primeiro foco seja este assunto.", questionou Nasser Al Khater, máximo responsável pela organização do Mundial, à reportagem da BBC.
O pior é que, se pararmos para pensar, a estranheza causada no CEO do Mundial pelo questionamento do (a) repórter da BBC parece repleta de sentido. Afinal, em um mundo onde a vida dos pobres vale nada, dar importância a morte de mais um deles, deve ser algo realmente estranho para quem esteja distante das condições de pobreza.
"A morte faz parte do ciclo natural da vida, seja no trabalho ou a dormir.", disse o CEO da prova.
Que "a morte faz parte do ciclo natural da vida", é no meu entender, uma afirmação inquestionável. O que considero questionável é a completeza de tal afirmação. Como ela ficaria completa? Se lhe fosse acrescentado o seguinte trecho: "desde que ela ocorra de forma natural". Quando a morte resulta de descaso em relação aos cuidados necessários a preservação da vida, considerá-la algo natural é coisa de indivíduos pobres em termos de dotação de sentimento nobres.
"Estamos a ter um Mundial de enorme sucesso e a primeira pergunta que me faz é essa?", questionou Nasser Al Khater, máximo responsável pela organização do Mundial, à reportagem da BBC.
"Estamos a ter um Mundial de enorme sucesso." Ou seja, deixe de ser inconveniente, criatura! Nós estamos conseguindo fazer tudo o que pretendíamos em termos de grandiosidade financeira e a primeira coisa que você faz é colocar o foco em algo tão pequeno como a morte de um pobre? Em que mundo você vive? No mesmo que eu, parece-me que não é. Eis uma pergunta e uma autorresposta que, no meu imaginário, devem ter passado pela cabeça daquela insensível criatura.
"A chocante reação do CEO do Mundial após mais uma morte de um trabalhador", eis o longo título da notícia reproduzida nesta postagem.
Chocante para quem, cara pálida? Não, neste insano mundo onde a indiferença em relação aos semelhantes (sic) parece atingir um grau cada vez maior, quantos de seus integrantes ficam realmente chocados diante de reações como a do CEO do Mundial?
Ao ser questionado sobre a estupenda (ou seria estúpida?) quantidade de mortos pela COVID, um estranho ser que ocupa o cargo de Presidente da República reagiu assim: E daí? Lamento, quer que eu faça o quê? Reação que não conseguiu chocar uma estupenda quantidade de indivíduos que, dois anos e meio após essa reação, deu seu voto a esse confuso ser que, embora declarando-se pronto para cumprir mais um mandato como deputado federal, solicitou que votassem nele para Presidente da República.
Que reações como a do CEO do Mundial e a do estranho e confuso ser citado no parágrafo anterior ainda chocam muita gente é algo, felizmente, ainda passível de celebração. Que o contingente dos que ainda se chocam ainda é menor do que o dos que são indiferentes ou que, por mais incrível que possa lhes parecer até se rejubilam com tais reações é algo, infelizmente, ainda passível de lamentação. Lamentação cujo término dependerá da atuação de cada um de nós para inverter a deplorável relação citada na frase anterior e tornar o contingente dos que se chocam maior do que o dos indiferentes e o dos que se rejubilam com tais reações.
Como diz uma antiga e belíssima música de Ivan Lins, construir um mundo melhor é algo que Depende de nós. Uma canção cujo trecho final é reproduzido a seguir.
"Depende de nós
Se este mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá

Depende de nós"

E que até o momento da publicação desta postagem estava disponível em https://www.youtube.com/watch?v=DakhfZXwSAE.

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